Cada vez mais o assunto sobre a liberação de substâncias psicoativas vem sendo pauta em debates entre ex-presidentes como Fernando Henrique Cardoso, Ernesto Zedillo, César Gaviria e as comissões latino-americanas sobre drogas e democracia. Dados vêm apontando que o número de adolescentes entre 15 e 16 anos que já experimentaram alguma droga ilegal está subindo, e na Inglaterra esse número representa quase a metade dos cidadãos entre essas idades.
A guerra ao tráfico vem mostrando ineficácia. Com a proibição das drogas, como diz, Jack Cole, ex-detetive, jovens usuários financiam o tráfico quando compram maconha, cocaína ou ecstasy, e fazê-los entenderem o quão complexo é este problema já é inútil, pois mesmo tendo ciência, não param de usar as substâncias. O que deve ser feito, continua John Grieve, ex-comandante da Scotland Yard, é uma reforma na política de droga, já que esta mostra incongruências em sua construção, e o assunto já passou de ser um tabu.
No último encontro dos grandes nomes que hoje defendem a liberação de substâncias psicoativas, Grieve apresentou aos participantes sua lista de “10 Razões para Legalizar as Drogas”, e nela continha dados apontando que o menor número de usuários adolescentes na Europa provém da Holanda, único país oficialmente legalizado; e que hoje 1,5 milhão de pessoas usam ecstasy aos fins de semana. O que mostra que a proibição não funciona.
No Brasil o assunto ainda é tratado de forma instável pelo Ministério da Justiça. Ora alegam que a proibição é o que sustenta o tráfico, ora proíbem manifestações públicas, um direito do cidadão segundo a Constituição, como a Marcha da Maconha, uma organização que luta por reformas na política de drogas através de discussões em torno da polêmica.
A Argentina, em meados do ano passado, descriminalizou o uso de maconha. Claro, descriminalização não é a mesma coisa que legalização, pois o uso e porte da substância apenas deixam de ser crime, em alguns casos, frente ao Estado. Por exemplo, é legal portar a droga, porém consumi-la em vias públicas é ilegal. Independente disto, a Argentina foi o primeiro país sul-americano a dar este passo tão grande frente à política de drogas mundial. Vamos ver se essa ação encoraja outros países a seguir o exemplo, tornando, assim, o mundo mais justo e democrático.
[luca magri, 3ª]
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