[deborah salles, 3ª]
terça-feira, 20 de julho de 2010
o ponto de ônibus
Era manhã, quase madrugada, e o sol não tinha nascido ainda. Vi-me no ponto de ônibus, esperando em meio à garoa e ao vento o transporte público. De fato, este já custava a passar, e cada vez mais minha impaciência crescia. Ao meu lado, havia duas senhoras de idade, sentadas de mãos dadas, e cada uma com um largo sorriso no rosto.
Talvez fossem até amigas ou irmãs, mas sem dúvida não pareciam nada menos que amantes. Ao apoiar sua cabeça no ombro da companheira, a senhora deixou claro que entre elas havia um carinho grande, forte, mútuo. Talvez até mesmo um amor.
Uma das senhoras era toda grisalha, até em seu suéter rosa. A outra era branca, com seus cabelos cor-de-neve. Claro que as duas juntas formavam um casal no mínimo singular, talvez até elegante. Mas não tão elegante quanto o homem que acabara de chegar ao ponto de ônibus, quase que onipotente em seu terno azul.
O tal homem chegou, olhou para os lados em busca de ônibus, e logo em seguida parou seu olhar sobre o casal de senhoras. Ao pousar seus olhos sobre as mãos unidas das duas, pôs em seu rosto duro um olhar de zombaria, como quem acha ridículo ao ponto de ser engraçado. Mas as senhoras não tinham percebido o olhar de deboche do homem de terno azul.
De repente, a senhora grisalha, com sua cabeça apoiada na amada, olhou para o horizonte em busca do ônibus, e seu olhar acabou cruzando com o do homem. Não houve dúvida de que ela percebeu o olhar. Mas não se mostrou brava ou ofendida, apenas sorriu, como quem desafia a seriedade e a censura usando sorriso como arma e bandeira.
O homem de terno azul colocou seu sorriso debochado no rosto, como quem engole uma gargalhada. Isso só aumentou o sorriso da senhora, que tirou a cabeça dos ombros da outra, beijou levemente os lábios da companheira e disse suavemente:
– Eu te amo, minha querida.
A senhora branca sorriu, mas não fiquei para ouvir a resposta, pois meu ônibus havia chegado. Mas não tenho dúvida de que o homem de terno azul ficou para ouvir um belo “eu também te amo”, que nem ele nem ninguém poderia debochar.
[daniel slater, 2ª]
Talvez fossem até amigas ou irmãs, mas sem dúvida não pareciam nada menos que amantes. Ao apoiar sua cabeça no ombro da companheira, a senhora deixou claro que entre elas havia um carinho grande, forte, mútuo. Talvez até mesmo um amor.
Uma das senhoras era toda grisalha, até em seu suéter rosa. A outra era branca, com seus cabelos cor-de-neve. Claro que as duas juntas formavam um casal no mínimo singular, talvez até elegante. Mas não tão elegante quanto o homem que acabara de chegar ao ponto de ônibus, quase que onipotente em seu terno azul.
O tal homem chegou, olhou para os lados em busca de ônibus, e logo em seguida parou seu olhar sobre o casal de senhoras. Ao pousar seus olhos sobre as mãos unidas das duas, pôs em seu rosto duro um olhar de zombaria, como quem acha ridículo ao ponto de ser engraçado. Mas as senhoras não tinham percebido o olhar de deboche do homem de terno azul.
De repente, a senhora grisalha, com sua cabeça apoiada na amada, olhou para o horizonte em busca do ônibus, e seu olhar acabou cruzando com o do homem. Não houve dúvida de que ela percebeu o olhar. Mas não se mostrou brava ou ofendida, apenas sorriu, como quem desafia a seriedade e a censura usando sorriso como arma e bandeira.
O homem de terno azul colocou seu sorriso debochado no rosto, como quem engole uma gargalhada. Isso só aumentou o sorriso da senhora, que tirou a cabeça dos ombros da outra, beijou levemente os lábios da companheira e disse suavemente:
– Eu te amo, minha querida.
A senhora branca sorriu, mas não fiquei para ouvir a resposta, pois meu ônibus havia chegado. Mas não tenho dúvida de que o homem de terno azul ficou para ouvir um belo “eu também te amo”, que nem ele nem ninguém poderia debochar.
[daniel slater, 2ª]
Acordei. Não estava transformado em um repugnante inseto, mas ainda assim não era o eu que deitara naquela cama na noite anterior. Escovei meus ainda humanos dentes pensando em trivialidades que podiam ser minhas ou de qualquer outro que vivesse no mesmo planeta. Olhei pela janela, assegurei-me que ainda estava na Terra de ontem. Ufa. Paletó, chapéu, relógio. Peguei o bonde e súbito me vieram aquelas filosofias baratas de transporte público, quando os ainda tímidos raios do Sol refletem sua imagem na janela. Pensava na afetividade, acho. Digo acho porque não estou certo de que era sobre isso que pensava, minhas divagações sempre foram confusas e contraditórias. Maldita histeroneurastenia. Desci do ônibus, comprei uma Coca-Cola na máquina: Tshhhh-pá!
A escola nunca me irritou ou cansou. É verdade que nunca fui um aluno muito aplicado, mas sempre considerei importante saber sobre o mundo que me cerca. Achava a ignorância um mal a ser violentamente combatido, tal era sua disseminação na sociedade. Existi pacientemente na minha carteira por seis longas horas, entre versos e bilhetes e olhares e risadas. Um dia típico para o meu milésimo eu do mês. Cheguei à conclusão, e espero que não tarde demais, de que as pessoas são passageiras: Nossas mudanças de visão e pensamentos nada mais são do que pessoas nascendo e envelhecendo dentro da nossa casca. Nosso exoesqueleto. Não somos, afinal, repugnantes insetos?
O sinal tocou, e com ele veio o futuro. Desligada a lousa multimídia, ingerida minha ração, teletransportei-me para casa e deitei. As pessoas já não pensam. Era uma lástima quando a maioria era ignorante, mas a acefalia conformada e paciente é o fim. Antes de dormir costumava repassar mentalmente o dia que se passou. Quando acordei o que me preocupava era o amor. Pela tarde tomei as dores da humanidade frente à alienação e ignorância. E agora, no futuro longínquo, não penso mais. Sei que não penso. Penso que não penso. Há metafísica o bastante em não pensar em nada, é verdade. E dentro de mim morria uma ingênua criança.
[martim passos, aluno agregado]
A escola nunca me irritou ou cansou. É verdade que nunca fui um aluno muito aplicado, mas sempre considerei importante saber sobre o mundo que me cerca. Achava a ignorância um mal a ser violentamente combatido, tal era sua disseminação na sociedade. Existi pacientemente na minha carteira por seis longas horas, entre versos e bilhetes e olhares e risadas. Um dia típico para o meu milésimo eu do mês. Cheguei à conclusão, e espero que não tarde demais, de que as pessoas são passageiras: Nossas mudanças de visão e pensamentos nada mais são do que pessoas nascendo e envelhecendo dentro da nossa casca. Nosso exoesqueleto. Não somos, afinal, repugnantes insetos?
O sinal tocou, e com ele veio o futuro. Desligada a lousa multimídia, ingerida minha ração, teletransportei-me para casa e deitei. As pessoas já não pensam. Era uma lástima quando a maioria era ignorante, mas a acefalia conformada e paciente é o fim. Antes de dormir costumava repassar mentalmente o dia que se passou. Quando acordei o que me preocupava era o amor. Pela tarde tomei as dores da humanidade frente à alienação e ignorância. E agora, no futuro longínquo, não penso mais. Sei que não penso. Penso que não penso. Há metafísica o bastante em não pensar em nada, é verdade. E dentro de mim morria uma ingênua criança.
[martim passos, aluno agregado]
alta pro equipe
o grêmio tem avisado por aí sobre o projeto de pintar as paredes da escola, mas sem um comunicado formal. aí vai: os interessados em mudar algumas das muitas áreas verdes-hospitalares das novas paredes devem mandar um projeto com sua ideia de pintura para o grêmio, até o dia 29 de junho*. o projeto pode ser individual ou coletivo, pensando ou não em uma parede específica (preferencialmente espaços de convivência, como o pátio, etc.) - mas lembramos que o desenho também passará pelo crivo da orientação.
*prazo prolongado, a ser definido.
*prazo prolongado, a ser definido.
domingo, 18 de julho de 2010
não sairia nem no caderno de esportes
O presidente Luis Inácio da Lula da Silva, certa vez, sugeriu para que fosse montada uma seleção mista entre israelenses e palestinos para enfrentar nossa camisa canária, em um amistoso. Claro que o comentário foi feito em momento de descontração, e nosso presidente não esperava resolver um dos mais graves e antigos problemas do Oriente Médio em uma partida de futebol. Mas isso não impediu que a mídia nacional fizesse do presidente, motivo de chacota. Sem problemas, já que os grandes meios de comunicação tem se mostrado, mesmo que de forma “disfarçada”, favoráveis a oposição. O fato só se confirma ao analisarmos o respaldo da última pesquisa a respeito da corrida presidencial, feita pelo instituto Vox Populi entre os dias 8 e 13/05 (maio). Neste levantamento, o candidato da oposição, José Serra (PSDB) aparece com 35% das intenções de voto, contra 38% da candidata Dilma Rousseff (PT). A pesquisa é acompanhada por uma reportagem, feita por José Roberto Toledo¹, dizendo que Serra no mês de Abril vinha com 34% dos votos, contra 31% de Dilma. Estas informações, porém, não correspondem nem mesmo ao próprio gráfico ilustrado na matéria que, por sua vez, mostra o candidato tucano, no mês de abril, com 38% das intenções de voto, enquanto a candidata petista teria registrado 33%.
Só é possível que se tire as dúvidas sobre a matéria controversa do Estado de S. Paulo no site do instituto Vox Populi, que publica os seguintes dados: em uma pesquisa publicada no dia 3/04 (abril), na qual participam da disputa os candidatos Ciro Gomes e Marina Silva, o governador de São Paulo aparecia com 34% das intenções de voto, e a candidata do partido dos trabalhadores com 31%. Já na pesquisa publicada dia 15/05 (maio), na qual o candidato Ciro Gomes já havia confirmado a retirada de sua candidatura da corrida presidencial, Dilma Rousseff aparece com 38% das intenções de voto, contra 35% de José Serra.
Nenhuma dessas intenções de voto, porém, correspondem aos dados apresentados pelo gráfico publicado no jornal, que nos mostra em abril do ano corrente a candidata petista com 33% das intenções de voto, e o candidato do PSDB com 38%. O levantamento só se organizou desta forma em um terceiro estudo feito pelo mesmo instituto em que o candidato Ciro Gomes não participava da disputa. Ou seja, o jornalista, ou quem quer que tenha editado esta matéria junto ao gráfico, não especificou sobre qual pesquisa se referia deixando, assim, a reportagem duvidosa. Afinal, ela se refere a três levantamentos diferentes, feitos em conjunturas igualmente distintas e são analisados da mesma forma.
Seja como for, nada impede que um jornal de tanta tradição, fundado em 1891, tenha publicado uma matéria tão confusa, que a primeira vista nos parece até mesmo equivocada, que tratasse justamente deste levantamento. A Folha de S. Paulo, porém, superou as expectativas de qualquer informante honesto e não se deu nem ao trabalho de lançar uma nota que fosse indicando o resultado da pesquisa, no domingo em que foi publicada (16/05). É certo que seu próprio instituto, o DataFolha, também se encarrega de pesquisas a respeito das intenções de voto, e portanto, talvez não quisesse que outra fonte de informação tivesse espaço em suas folhas. De um jeito ou de outro, a questão continua com uma resposta que dificilmente seria respeitosa aos direitos de informar.
No dia seguinte, a informação continuou a ser divulgada de maneira, no mínimo, tendenciosa. Após nosso presidente, junto ao Ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim fecharem um acordo com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad a respeito da questão nuclear do País, as matérias do jornal o Estado de S. Paulo reiteravam a importância da diplomacia turca no acordo². É certo que o governo iraniano só aceito realizar a troca de urânio, que poderia ser enriquecido para produção de bombas atômicas, por combustível nuclear (enriquecido a 20% utilizado para fins de pesquisa), no território turco. Porém, o único intermediário entre Irã e Ocidente de real importância mundial foi o Brasil, liderado por nosso presidente e por todo corpo do Itamaraty, que conseguiram um resultado de enorme relevância na política internacional.
Todas estas conquistas foram pouco ressaltadas pelo jornal, que preferiu dar a devida importância ao fato do chanceler turco ter se pronunciando primeiro. Esquecendo o fato de que o Brasil, por mais que o tratado, e as vontades pacifistas do Irã sejam falsos, foi o único capaz de intermediar estes dois pólos ideológicos, Oriente e Ocidente, para uma resolução tranqüila. Enquanto Obama, junto ao Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), buscava formas de sancionar o país e impedir através da força que ele continuasse suas pesquisas.
Lula, mesmo com o nível de aprovação de governo beirando a margem dos 75%, continua alcançando marcas nunca antes vistas “na história deste país”, como ele mesmo diria. E mesmo quando o próprio candidato da oposição tenta assemelhar seu plano de governo com o do adversário, em tudo aquilo que lhe é possível, a grande mídia continua tentando rebaixá-lo a um nível de político comum. Para isso, se utiliza de técnicas como a manipulação dos pontos de vista de forma disfarçada. Dessa forma, o jornal acaba por perder a legitimidade que tanto briga em seus discursos a respeito da liberdade de imprensa, pois a confunde com liberdade de expressão, e se esquece de que após se declarar neutro tem a função de informar e não influenciar, se é que isto existe. Por isso, que o jogo, que fora certa vez proposto por Lula acredito que só teria espaço no caderno de esportes, se acarretasse, no mínimo, uma briga entre israelenses e palestinos pela não convocação do meia santista, Paulo Henrique Ganso, para o jogo.
¹ Reportagem publicada na página A7 do Jornal O Estado de S. Paulo no dia 16/05/2010.
² Conjunto de matérias com o nome de Conjunto Diplomático, publicado na página A10 do Jornal O Estado de S. Paulo no dia 17/05/2010.
[joão felpudo]
Só é possível que se tire as dúvidas sobre a matéria controversa do Estado de S. Paulo no site do instituto Vox Populi, que publica os seguintes dados: em uma pesquisa publicada no dia 3/04 (abril), na qual participam da disputa os candidatos Ciro Gomes e Marina Silva, o governador de São Paulo aparecia com 34% das intenções de voto, e a candidata do partido dos trabalhadores com 31%. Já na pesquisa publicada dia 15/05 (maio), na qual o candidato Ciro Gomes já havia confirmado a retirada de sua candidatura da corrida presidencial, Dilma Rousseff aparece com 38% das intenções de voto, contra 35% de José Serra.
Nenhuma dessas intenções de voto, porém, correspondem aos dados apresentados pelo gráfico publicado no jornal, que nos mostra em abril do ano corrente a candidata petista com 33% das intenções de voto, e o candidato do PSDB com 38%. O levantamento só se organizou desta forma em um terceiro estudo feito pelo mesmo instituto em que o candidato Ciro Gomes não participava da disputa. Ou seja, o jornalista, ou quem quer que tenha editado esta matéria junto ao gráfico, não especificou sobre qual pesquisa se referia deixando, assim, a reportagem duvidosa. Afinal, ela se refere a três levantamentos diferentes, feitos em conjunturas igualmente distintas e são analisados da mesma forma.
Seja como for, nada impede que um jornal de tanta tradição, fundado em 1891, tenha publicado uma matéria tão confusa, que a primeira vista nos parece até mesmo equivocada, que tratasse justamente deste levantamento. A Folha de S. Paulo, porém, superou as expectativas de qualquer informante honesto e não se deu nem ao trabalho de lançar uma nota que fosse indicando o resultado da pesquisa, no domingo em que foi publicada (16/05). É certo que seu próprio instituto, o DataFolha, também se encarrega de pesquisas a respeito das intenções de voto, e portanto, talvez não quisesse que outra fonte de informação tivesse espaço em suas folhas. De um jeito ou de outro, a questão continua com uma resposta que dificilmente seria respeitosa aos direitos de informar.
No dia seguinte, a informação continuou a ser divulgada de maneira, no mínimo, tendenciosa. Após nosso presidente, junto ao Ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim fecharem um acordo com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad a respeito da questão nuclear do País, as matérias do jornal o Estado de S. Paulo reiteravam a importância da diplomacia turca no acordo². É certo que o governo iraniano só aceito realizar a troca de urânio, que poderia ser enriquecido para produção de bombas atômicas, por combustível nuclear (enriquecido a 20% utilizado para fins de pesquisa), no território turco. Porém, o único intermediário entre Irã e Ocidente de real importância mundial foi o Brasil, liderado por nosso presidente e por todo corpo do Itamaraty, que conseguiram um resultado de enorme relevância na política internacional.
Todas estas conquistas foram pouco ressaltadas pelo jornal, que preferiu dar a devida importância ao fato do chanceler turco ter se pronunciando primeiro. Esquecendo o fato de que o Brasil, por mais que o tratado, e as vontades pacifistas do Irã sejam falsos, foi o único capaz de intermediar estes dois pólos ideológicos, Oriente e Ocidente, para uma resolução tranqüila. Enquanto Obama, junto ao Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), buscava formas de sancionar o país e impedir através da força que ele continuasse suas pesquisas.
Lula, mesmo com o nível de aprovação de governo beirando a margem dos 75%, continua alcançando marcas nunca antes vistas “na história deste país”, como ele mesmo diria. E mesmo quando o próprio candidato da oposição tenta assemelhar seu plano de governo com o do adversário, em tudo aquilo que lhe é possível, a grande mídia continua tentando rebaixá-lo a um nível de político comum. Para isso, se utiliza de técnicas como a manipulação dos pontos de vista de forma disfarçada. Dessa forma, o jornal acaba por perder a legitimidade que tanto briga em seus discursos a respeito da liberdade de imprensa, pois a confunde com liberdade de expressão, e se esquece de que após se declarar neutro tem a função de informar e não influenciar, se é que isto existe. Por isso, que o jogo, que fora certa vez proposto por Lula acredito que só teria espaço no caderno de esportes, se acarretasse, no mínimo, uma briga entre israelenses e palestinos pela não convocação do meia santista, Paulo Henrique Ganso, para o jogo.
¹ Reportagem publicada na página A7 do Jornal O Estado de S. Paulo no dia 16/05/2010.
² Conjunto de matérias com o nome de Conjunto Diplomático, publicado na página A10 do Jornal O Estado de S. Paulo no dia 17/05/2010.
[joão felpudo]
Edição e caderno:
2ª edição,
pergunte ao joão felpudo,
política
o pré-sal é nosso
Quatro é o número de projetos do pré-sal enviados ao Congresso:
O primeiro altera o modelo atual de contrato de concessão para um sistema de partilha, o segundo cria a Petro-sal, estatal que vai gerenciar o pré-sal, o terceiro estabelece um Fundo Social para gerir e distribuir os recursos e o quarto prevê a capitalização da Petrobras.
– Mas afinal, o que é a camada pré-sal?
Localizada abaixo do oceano, cerca de 7km de profundidade, a camada pré-sal, de acordo com seu nome, está antes de uma espessa camada de sal, a qual alguns pesquisadores atribuem o fato de preservar a imensa quantidade de uma preciosa fonte de energia: o petróleo, encontrado nessa camada.
Cabe ao Brasil como dono dessa mina de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos do pré-sal tomar iniciativas para melhor utilizá-lo, pois logo atrás, milhares de olhares ambiciosos estão querendo nosso petróleo e muitos estão loucos para entregá-lo a empresas internacionais. É por esse motivo que há tanta urgência para a avaliação dos projetos.
Todos os quatro projetos fazem parte de um projeto maior que irá realizar grandes mudanças para a situação do nosso país.
Esses projetos modificam uma lei criada no governo FHC em 1997. Lei a qual acabou com o monopólio estatal do petróleo da Petrobrás mudando a constituição para que as companhias estrangeiras explorassem o nosso petróleo. Foi nessa época que Fernando Henrique denominou de "Dinossauros" aqueles que defendiam o monopólio do petróleo e tinham nostalgia da campanha "O petróleo é nosso". Essa lei denominada regime de concessão dizia que todo o petróleo extraído por uma empresa estrangeira é pertencente a ela. O primeiro projeto do pré-sal quer acabar com o regime de concessão, criando o sistema de partilha. O sistema de partilha faz com que todo o petróleo extraído seja da União e é ela que fará o pagamento para as empresas estrangeiras em óleo. Além disso, as empresas estrangeiras necessitam se associar a Petrobrás que será operadora de todas as empresas estrangeiras, cobrindo 30% dos gastos para instalá-las e os outros 70% elas que cobrirão. O Petro-sal entra nesse caso como uma pequena empresa que irá ser responsabilizada pela regularização da exploração do petróleo. Por exemplo, se o petróleo estiver em alta no mercado, o Petro-sal irá autorizar a exploração de petróleo para a Petrobrás e as empresas estrangeiras associadas e determinará também a percentagem que ficará com ela. Os lucros do Petro-sal irão para um fundo soberano ou fundo social que irá investir na educação, saúde, diminuição da miséria, nas indústrias e na inovação tecnológica, nas pesquisas.
O projeto do Pré-sal foi aprovado pela Câmara, mas necessita passar pelo Senado. Dessa maneira, foi preciso fazer vários acordos com a oposição para a aceleração da votação desse projeto. Além disso, o Pré-sal foi aprovado pelo IBAMA e o ministério do meio ambiente.
Os tucanos estão contra esses projetos, mas sabem que ao se declarem contra, eles irão perder as eleições, pois serão acusados de entreguistas do petróleo nacional. José Serra já não diz nada sobre sua posição, mas foi em 1997 que ele como nosso senador aprovou a lei do FHC entregando nosso país para as empresas estrangeiras.
[luna zarattini, 3ª]
O primeiro altera o modelo atual de contrato de concessão para um sistema de partilha, o segundo cria a Petro-sal, estatal que vai gerenciar o pré-sal, o terceiro estabelece um Fundo Social para gerir e distribuir os recursos e o quarto prevê a capitalização da Petrobras.
– Mas afinal, o que é a camada pré-sal?
Localizada abaixo do oceano, cerca de 7km de profundidade, a camada pré-sal, de acordo com seu nome, está antes de uma espessa camada de sal, a qual alguns pesquisadores atribuem o fato de preservar a imensa quantidade de uma preciosa fonte de energia: o petróleo, encontrado nessa camada.
Cabe ao Brasil como dono dessa mina de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos do pré-sal tomar iniciativas para melhor utilizá-lo, pois logo atrás, milhares de olhares ambiciosos estão querendo nosso petróleo e muitos estão loucos para entregá-lo a empresas internacionais. É por esse motivo que há tanta urgência para a avaliação dos projetos.
Todos os quatro projetos fazem parte de um projeto maior que irá realizar grandes mudanças para a situação do nosso país.
Esses projetos modificam uma lei criada no governo FHC em 1997. Lei a qual acabou com o monopólio estatal do petróleo da Petrobrás mudando a constituição para que as companhias estrangeiras explorassem o nosso petróleo. Foi nessa época que Fernando Henrique denominou de "Dinossauros" aqueles que defendiam o monopólio do petróleo e tinham nostalgia da campanha "O petróleo é nosso". Essa lei denominada regime de concessão dizia que todo o petróleo extraído por uma empresa estrangeira é pertencente a ela. O primeiro projeto do pré-sal quer acabar com o regime de concessão, criando o sistema de partilha. O sistema de partilha faz com que todo o petróleo extraído seja da União e é ela que fará o pagamento para as empresas estrangeiras em óleo. Além disso, as empresas estrangeiras necessitam se associar a Petrobrás que será operadora de todas as empresas estrangeiras, cobrindo 30% dos gastos para instalá-las e os outros 70% elas que cobrirão. O Petro-sal entra nesse caso como uma pequena empresa que irá ser responsabilizada pela regularização da exploração do petróleo. Por exemplo, se o petróleo estiver em alta no mercado, o Petro-sal irá autorizar a exploração de petróleo para a Petrobrás e as empresas estrangeiras associadas e determinará também a percentagem que ficará com ela. Os lucros do Petro-sal irão para um fundo soberano ou fundo social que irá investir na educação, saúde, diminuição da miséria, nas indústrias e na inovação tecnológica, nas pesquisas.
O projeto do Pré-sal foi aprovado pela Câmara, mas necessita passar pelo Senado. Dessa maneira, foi preciso fazer vários acordos com a oposição para a aceleração da votação desse projeto. Além disso, o Pré-sal foi aprovado pelo IBAMA e o ministério do meio ambiente.
Os tucanos estão contra esses projetos, mas sabem que ao se declarem contra, eles irão perder as eleições, pois serão acusados de entreguistas do petróleo nacional. José Serra já não diz nada sobre sua posição, mas foi em 1997 que ele como nosso senador aprovou a lei do FHC entregando nosso país para as empresas estrangeiras.
[luna zarattini, 3ª]
exploração das cercanias
Levando apenas alguns minutos e outros tantos passos daqui da escola, o SESC Consolação pode ser considerado praticamente um vizinho. Como esse ano o bairro ainda está sendo descoberto, e futuramente colonizado, nada melhor do que os arredores contarem com nossa presença inédita. Aí entra o programa da vez: o SESC apresenta, desde janeiro desse ano, a peça “Lamartine Babo”. Com texto de Antunes Filho e dirigida por Emerson Danesi, a atração conta a história de uma banda que, ensaiando as músicas do grande compositor, é surpreendida por uma visita. O horário, porém, não é dos mais confortáveis para ávidos estudantes: às quintas-feiras, 21h. A vantagem é que, para os mesmos ávidos estudantes com suas respectivas carteirinhas, a meia custa 5 reais (para os já desprovidos das bênçãos estudantis, a multiplicação do ingresso inteiro é das mais simples). Bem, as férias estão aí e a temporada vai até dia 29 de julho.
Endereço: Espaço CPT 7º andar. Rua Dr. Vila Nova, 245 – Vila Buarque. Tel: (11) 3234-3000
[deborah salles, 3ª]
Endereço: Espaço CPT 7º andar. Rua Dr. Vila Nova, 245 – Vila Buarque. Tel: (11) 3234-3000
[deborah salles, 3ª]
Assinar:
Comentários (Atom)


