sábado, 28 de agosto de 2010

Esperava com pressa de esperar. Porque mesmo os amantes permitidos precisam de um pouco de saudade. Talvez até de mais. E, como se sabe, os domingos das noites claras das luzes da cidade sempre foram os melhores pros amores assim. A menina atrasava porque sabia que o amor cheira a amêndoas e gengibre e, sabia também, que amêndoas dão gases.
A casa perto do aeroporto tremia da rota dos aviões. Os carros passavam num rápido enlouquecedor, misturando o cheiro de Gás Carbônico requintado com os perfumados do menino. Tudo aquilo cheirava a friozinho. Tudo aquilo teria um significado no mínimo interessante, mas ele, não lhe passava pela cabeça nem metade do que conspirava o universo para que aquela tarde fosse feliz. Sentia uma pontinha de tesão que insistia ser uma vontade de fazer xixi e gastou o almoço todo descendo e subindo as escadas, da porta pra privada, por duas horas e vinte.
Colecionava maneiras de se matar. Ainda não tinha aprendido a ser feliz apenas nos domingos.

[mônica coster ponte, 1ª]

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