sábado, 28 de agosto de 2010

a solidão iminente das coisas pequenas

A fechadura fugiu.
Estava cansada de ser inútil,
Cansada de apenas chaves frias lhe tocarem,
Sem o calor de uma mão humana.

Sobrou apenas a maçaneta,
Que por sua vez não gostava das mãos, sujas e mal agradecidas,
Tão egoístas e cheias de si.
Mãos que não a deixavam descansar.

A companhia da fechadura era um consolo.
A maçaneta ficou só, sem sentido.
Não era nada, um pedaço de ferro sujo.
Em sua grande amargura, suicidou-se.

E foi assim que a porta virou uma parede.


[pedro nagem de souza, 2ª]

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