A fechadura fugiu.
Estava cansada de ser inútil,
Cansada de apenas chaves frias lhe tocarem,
Sem o calor de uma mão humana.
Sobrou apenas a maçaneta,
Que por sua vez não gostava das mãos, sujas e mal agradecidas,
Tão egoístas e cheias de si.
Mãos que não a deixavam descansar.
A companhia da fechadura era um consolo.
A maçaneta ficou só, sem sentido.
Não era nada, um pedaço de ferro sujo.
Em sua grande amargura, suicidou-se.
E foi assim que a porta virou uma parede.
[pedro nagem de souza, 2ª]
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